sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Parte 3 -- TUDO DESABA

Agora, você me conheces... Para que omitir? Dizer o que eu não sou? Já disse à vós que não sou poeta. Sou, na verdade, condenado pela filosofia, simulacro da natureza, cópia da dor, do amor, do que sou e, do que não sou. Decidir por mim, não adiantará. Eu sou cúmplice dos fantasmas. O que sou? Saiba que poeta eu não sou, nem criador. Cabe à você decidir o que sou.

********* EU DESABO ********
Se pensas que sou rio
Eu sou cachoeira
Se pensas que sou néctar
Eu sou fruto, bananeira
Da gula do pecado
Se pensas que sou ouro
Eu sou prata
Não fiques assustado
Simulacro de dores
vá lavar os teus pratos
Na pia da Ilusão de Dolores
seus desejos, insígnias do ingrato!
Já disse, não sou poeta
O que sou?
Só posso dizer
aquilo que não gostou
Pensas, reflete, faz prazer
Fantasma, véus impetuosos
Se tu pensas que sou chuva
O que sou dos tortuosos
sou garoa da tua luva
Choro dos feitos medrosos
chupando doce uva
Já te disse, tudo desaba
Já te disse, não sou gelo
Sou fogo, sou mastaba
dos dogmas de um padre singelo
Ah, se tudo isso não bastava
Ainda te digo, que não
Que não sou poeta, sou copiador
Sinta, reflita minha dor!
Tudo desabas, mas
Quem sou Eu?
Espelho que te faz
Reflexo do teu
Agora, Vales
Antes, Agoras
teus Lares
O é Destino
Ide, ou tu Irias por mim?
Raça de menino Ranzinza da Escuridão má
Há segredos,
desabares
Nos versos que lestes....
Já passaram, em pequenas
escadas, ligadas, máiúsculas destes
seios ligados, amor, desabado!
Ah, não sou poeta!
Sou, eu... eu sou....
digamos, Ilha de Creta!
não gostou?
Então sou Desabar da face ereta!
Desabou?
Richard Borges -- 21/09/2007

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